domingo, 11 de abril de 2010

UM RIO, UM ESTUÁRIO, UM LAGO EM MINHA VIDA

Gente:

Nossa casa ficava quase lá no fim da cidade
perto dali tinha um riacho que era local de diversão
o riacho Trancado ficava há 1 km lá de casa
lá pescava lambari e tomava
banho num poço natural

Quando viemos morar em Porto Alegre
fomos morar numa casa cujo muro
dos fundos batia a água do Rio Guaíba
naquele tempo se chamava rio Guaiba,
depois foi chamado de estuário e agora
usa-se a denominação Lago Guaiba


Aquelas águas no fundo de casa
eram uma diversão: local de pesca,
banho e navegação

Naquela época não se falava em poluição
tomavamos banho quase que diariamente;
no período de maré iamos pela água
numa distância de mais de 100 metros
com nível de água pelas coxas,
andavamos pela beira da praia até a Pedra Redonda
juntando despachos
o Nilton Minhoca, filho da vizinha, dizia que
para não ficar-mos enfeitiçados
deveriamos pegar os despachos
com a mão esquerda!!
assim faziamos, juntando tigelas, balas e garrafas
Minha mãe ficou furiosa quando descobriu
que juntavamos despachos
Ela é católica e ficou com medo do pecado
que cometía-mos e do castigo que Deus poderia fazer

Não aconteceu nada de mais,
só diversão para aqueles guris
vindos do interior e brincando na cidade grande

Tinha também a navegação
meu irmão comprou uma canoa
e o vizinho "o Bolacha" fez
um barco de lata que remavamos
nos dias ensolarados depois do almoço

A pescaria era abundante com pequenos
lambaris, jundiás, mandins e pintados
peixe frito é delicioso comer com a mão,
lambendo os beiços

Mas também tinha os dias
de fúria das águas, no inverno
com a cheia das águas e o vento
a água batia forte no muro
produzindo grandes respingos e
dobrava as taquaras no fundo da casa

Aquele abraço


Irajá HECKMANN

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